Pânico no Ano Zero

Houve um tempo em que o fim do mundo sério – sem zumbis, monstros ou ameaças sobrenaturais – era tema certo em Hollywood. Eram filmes que simulavam cenários bastante prováveis. Nos anos 1950~60, o que causava mais cagaço era uma guerra nuclear. Nessa fase ganhamos alguns filmes muito, muito bons. Eles não costumam aparecer em listas, nem daquelas com 1000 títulos, provavelmente porque são meio deprimentes. Segue uma lista básica com clássicos do fim do mundo:

  • A Hora Final (On the Beach, 1959)
    De Stanley Kramer. Com Gregory Peck, Ava Gardner, Fred Astaire e Anthony Perkins.
    Uma visita à San Francisco pós-bombardeio é uma desolação só. Lembra filme europeu de tão pesado. Mas é bom pacas!
  • Limite de Segurança (Fail Safe, 1964)
    De Sidney Lumet. Com Henry Fonda e Walter Matthau.
    Lei de Murphy em escala global. Quanta merda dá um míssil disparado sem querer?
  • O Caso Bedford (The Bedford Incident, 1965)
    De James B. Harris. Com Sidney Poitier e Richard Widmark.
    Outra cagada homérica. Será o primeiro thriller com submarinos?

O mais fraquinho dos quatro títulos selecionados dá o título para este post e merece até trailer:

Explico: Pânico no Ano Zero é o tipo de filme que já foi relativamente comum nos EUA. É didático. Você assiste a uma história e acaba ganhando uma aula sobre como lidar com uma situação totalmente nova. Ray Milland, que dirige e atua, dialogando com o filho: vamos nos barbear todo dia. Vamos manter a nossa dignidade, independente do que aconteça. É o típico herói americano que não existe mais.

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Sobre

junkyage s.f. última era do  antropoceno. Última no sentido de recente, corrente. Última no sentido de derradeira, saideira?

* (asterisco) s.m. 1. curinga, substituto. 2. representação lo-fi de uma flor.

Junkyage* blog à moda antiga sobre coisas que merecem ser vistas ou revistas antes que a gente foda com tudo.

Exemplos

Curador Amador

Nando Vasconcellos, cidadão de meia idade e vida inteira de amador numa cidadezinha do interior que não é Bacurau. Que pena!

Cura é copia & cola com zelo, na unha, sem algoritmos. Crio com retalhos dos outros. Algumas partes e relações são óbvias. Este todo* não surgiria em nenhum outro lugar. Nem se bilhões de macacos tentassem por dez mil anos.