Filmes

O Colecionador

William Wyler vinha de duas batalhas. Do épico Ben Hur (1959) e do audacioso The Children’s Hour (Infâmia, 1961). Audacioso porque foi um “azul é a cor mais quente” cinquenta e tantos anos atrás*. Não com duas belas desconhecidas, mas com as consagradas e lindas Audrey Hepburn e Shirley MacLaine nos papéis controversos. Pudera ter demorado quatro anos até chegar neste The Collector (O Colecionador, 1965).

A história, facilmente transportável para o teatro, é baseada em livro homônimo de John Fowles. Um tarado-travado interpretado pelo iniciante Terence Stamp sequestra a mocinha encarnada por Samantha Eggar. O que ela descobre lá pelas tantas, em seu porão-cativeiro, é que o cara é um colecionador inveterado. Até então, o cara indexava borboletas. Então…

É um filme bem inglês, apesar de estar na contramão do que nascia na terra da rainha naquela época. Arrastado e pesado, com Stamp e Eggar carregando as toneladas do vazio de seus personagens.

Um colecionador tão assustador só foi reaparecer no cinema trinta anos depois, colecionando mariposas e a pele de donzelas fofinhas. Na verdade, assustador mesmo era o psicólogo que mantinha malucos desse naipe em seu portfólio.

***

* Wyler tinha tentando antes, em These Three (Infâmia, 1936). Mas o escândalo ficou limitado ao triângulo amoroso (hétero).

 

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