Mínimo Espaço-Tempo

Mil novecentos e pedrinha. No inferninho de fumaças mal iluminadas, espaço é dinheiro. Quanto mais gente, melhor. Sobrou um cantinho, lá no fundo, para alguém tocar música. Porque música é a alma do inferninho. Escanteada? Que nada! Estrategicamente colocada naquela esquina do balcão. Para o cantor molhar a goela. Para o baterista cantar alguém. Para o guitarrista arranjar qualquer coisa proscrita.

Mineiro não sabe de nada. Desconfia de muita coisa. Desconfia, por exemplo, que o mestre Rosa surrupiou a frase anterior em algum cafundó. Foda-se. A desconfiança aqui é outra. Desconfio que aquele palco minúsculo acabou determinando o formato das bandas. A exceção virou “big band”. Banda que se preza tem 4 +/- 1 integrantes. A exceção virou Iron Maiden. 

Mil oitocentos e noventa. Em algum canto longe dos inferninhos alguém descobriu que um tipo de barro ou argila seca (acetato | C2H3O2 para os íntimos) podia guardar música. Ranhuras tocadas por uma agulha de cristal reproduziriam, ad infinitum – pero con riscos, qualquer tipo de som. Bastava girar a bolacha 78 vezes por minuto. Um presente dos deuses para todos que não podiam estar presentes nos inferninhos das apresentações ao vivo. Só tinha um probleminha: naquele espaço redondo mal cabiam três minutos de música.

Mineiro é desconfiado. A música popular mundial foi formatada por uma limitação da tecnologia? Podes crer…

Antes do disco ninguém reclamava do fato da nona do Beethoven durar 70 minutos. Depois foi uma coisa de pegarem no pé de Shine on You Crazy Diamond (13:32 nas partes I~V de um total de IX), Close to the Edge (18:42) e Thick as a Brick (22:40 no lado A + 21:06 no lado B 😉 

Hendrix, que nunca passou dos quinze minutos, falou que para essa turma não existiriam romances. Só contos. Ou crônicas. 

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Sobre

junkyage s.f. última era do  antropoceno. Última no sentido de recente, corrente. Última no sentido de derradeira, saideira?

* (asterisco) s.m. 1. curinga, substituto. 2. representação lo-fi de uma flor.

Junkyage* blog à moda antiga sobre coisas que merecem ser vistas ou revistas antes que a gente foda com tudo.

Exemplos

Curador Amador

Nando Vasconcellos, cidadão de meia idade e vida inteira de amador numa cidadezinha do interior que não é Bacurau. Que pena!

Cura é copia & cola com zelo, na unha, sem algoritmos. Crio com retalhos dos outros. Algumas partes e relações são óbvias. Este todo* não surgiria em nenhum outro lugar. Nem se bilhões de macacos tentassem por dez mil anos.